NOSFERATU
F.W.MURNAU 1922
NOSFERATU
CINE-CONCERTO POR DANIEL BERNARDES
22 OUT / 21H00
TEATRO FAIALENSE
ILHA DO FAIAL
F.W.MURNAU 1922
NOSFERATU
CINE-CONCERTO POR DANIEL BERNARDES
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Incontornável obra-prima do expressionismo alemão, Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens (1922), de F. W. Murnau, permanece como um dos marcos fundadores da história do cinema mundial. Passado mais de um século sobre a sua estreia, o classicismo visual e a atmosfera hipnótica e sombria do filme continuam a desafiar novas leituras artísticas. Neste cine-concerto, a projeção do clássico de Murnau é revestida por uma banda sonora original executada ao vivo ao piano por Daniel Bernardes, transfigurando a experiência cinematográfica num diálogo em tempo real entre a imagem em movimento e a criação musical contemporânea, no qual a narrativa visual renasce através do som. A abordagem musical para esta apresentação assenta num rigoroso cruzamento estético que dilui as fronteiras entre o piano clássico, o jazz e a música improvisada. Enquanto a tradição do piano clássico confere a estrutura formal, o dramatismo e a profundidade tímbrica necessárias para acompanhar a arquitetura narrativa e a tensão psicológica do expressionismo, a linguagem do jazz introduz uma sofisticada complexidade harmónica. A esta combinação junta-se a vertigem da livre improvisação, que permite ao pianista reprimir ou amplificar o suspense em tempo real, reagindo com precisão milimétrica ao jogo de luzes e sombras no ecrã. A música deixa, assim, de ser um mero acompanhamento ilustrativo para assumir o papel de um segundo narrador, capaz de sublinhar a psicologia das personagens, o terror iminente e a poesia trágica que atravessam a obra de Murnau. Reconhecido como um dos compositores e pianistas mais ecléticos do panorama musical português, Daniel Bernardes tem traçado um percurso singular que cruza sem complexos a música erudita contemporânea e a música improvisada. O seu trabalho revela um criador de enorme amplitude e rigor técnico, destacando-se de forma muito particular pela sua estreita e virtuosa relação com o cinema. Esta dimensão dramatúrgica é visível na sua colaboração regular com o cineasta João Botelho, para quem assinou bandas sonoras originais de projetos de grande relevância nacional, demonstrando uma sensibilidade invulgar para traduzir a linguagem poética e narrativa da imagem em matéria sonora. É precisamente essa maturidade na composição para a Sétima Arte que Daniel Bernardes transporta para este Nosferatu, garantindo uma proposta artística de elevada exigência e impacto cultural.
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Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens (F. W. Murnau, 1922)
Interpretação e Composição Musical ao vivo: Daniel Bernardes, piano
Duração: Aprox. 90 minutos
M/12
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Daniel Bernardes nasceu em Alcobaça a 26 de Junho de 1986. Começou a estudar piano aos 5 anos de idade e aos 18 mudou-se para Paris, admitido na École Normale de Musique de Paris. Regressa a Portugal para se dedicar ao Jazz, estudando com Filipe Melo na Escola de Jazz Luíz Villas-Boas, ingressando depois na Escola Superior de Música de Lisboa onde, pela mão de João Paulo Esteves da Silva, se torna no primeiro Licenciado em Piano Jazz desta instituição. Frequenta actualmente o Doutoramento em Artes Musicais da Universidade Nova de Lisboa. Em 2010 apresenta o seu trio na Casa da Música com o qual lança, em 2013, o seu disco de estreia “Nascem da Terra”. Desenvolve também uma actividade intensa enquanto compositor na procura de mesclar os universos do jazz e da música erudita sendo galardoado com a Bolsa Jovens Criadores do Centro Nacional de Cultura pelo projecto “Daniel Bernardes’ Crossfade Ensemble”, e, em colaboração com os Drumming Grupo de Percussão, cria “A Liturgia dos Pássaros” um projecto em homenagem a Olivier Messiaen destacado pela revista norte-americana JazzTimes. A partir das recolhas de Michel Giacometti cria “O Rondó da Carpideira” um espectáculo multidisciplinar em parceria com o saxofonista Mário Marques e o artista multimédia Gonçalo Tarquínio. Trabalha igualmente para Teatro assumindo a direcção musical de “Cimbelino” de W. Shakespeare com encenação de António Pires para o Teatro do Bairro assim como de “Sweet Home Europa” de D. Carnevali com encenação de João Pedro Mamede, numa produção do Teatro Nacional D. Maria II. Estreia-se em televisão compondo a música para a série “A Espia” uma produção da Ukbar para a RTP. Chega ao cinema pela mão de João Botelho com as bandas sonoras de “Peregrinação”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis” e “Filme em Forma de Assim”.