ENTRE

MULHERES

ENTRE MULHERES

ANA PAULA RUSSO E NUNO DIAS


9 OUT / 21H00
CENTRO CULTURAL DA ILHA GRACIOSA
ILHA GRACIOSA

ENTRE MULHERES
ANA PAULA RUSSO, VOZ e NUNO DIAS, GUITARRA DE COIMBRA

Vozes em Travessia: Diálogos performativos entre a Canção de Coimbra e o Canto Erudito

O projecto Entre Mulheres surge da vontade de união de duas linguagens musicais e culturais, tantas vezes próximas e distantes ao longo dos tempos, dentro da cultura musical Popular portuguesa. O discurso feminino da Guitarra de Coimbra e da voz (feminina). 
É neste domínio que se entrelaçam as vozes, cantada e tocada, no universo da Música Tradicional Portuguesa, de onde surgem todos os temas em execução. É nosso propósito garantir a perpetuação desta linguagem tradicional acrescentando, simultaneamente, a contemporaneidade necessária a um enquadramento estético actual. Para tal, e para além da transcrição inédita para Guitarra de Coimbra de arranjos de temas tradicionais feitos por Carlos Paredes para o instrumento Guitolão, foram compostos novos arranjos para outros temas tradicionais propositadamente para este projecto. É, para nós, fundamental manter viva a energia criadora para um instrumento tão enraizado na nossa cultura e que tão distante se tem mostrado desta ligação afectiva com a voz feminina.
Os temas escolhidos procuram espelhar a riqueza cultural do nosso país, tendo, para isso, sido escolhidos temas de várias regiões. De Trás os Montes ao Alentejo, passando pelas Beiras, procuramos representar um pouco das nossas tradições populares quer ao nível melódico, quer ao nível da poesia, com base na recolha levada a cabo por Michel Giacometti.
No que à estrutura artística diz respeito, a direcção artística e todo o trabalho instrumental, quer ao nível das transcrições, quer ao nível da composição dos novos arranjos, foi levado a cabo pelo guitarrista Nuno Dias. O desenvolvimento da linguagem vocal e sua execução foi da responsabilidade da soprano Ana Paula Russo. 
Este é, sem dúvida, um momento importante na carreira de ambos os músicos pelas características e responsabilidade do projecto. A Guitarra Portuguesa, seja de Coimbra ou de Lisboa, faz recair sobre si mesma um imaginário musical bastante afirmado e balizado no mundo do Fado. No que à Guitarra de Coimbra diz respeito, a sua sonoridade é, sobretudo, anexada à voz masculina fruto da sua longínqua actividade fadista na Academia daquela cidade. Retirá-la deste duplo contexto, fadista e masculino, significa soltar amarras e garantir a liberdade de expressão cultural tão desejada sem que isso signifique perder a sua alma identitária, a sua sonoridade e referência. 
Este trabalho é dedicado a Carlos Paredes, pelo legado que nos deixou também neste campo.

PROGRAMA

Variações sobre uma dança popular (Carlos Paredes)
Cantiga da Ceifa (Minho)

O legado de Carlos Paredes:
Ó menino, ó... (Beira Alta) *
Romance nº 1 (Carlos Paredes)

Na senda da “música popular” portuguesa: • Pingacho (Trás-os-Montes)
Oh Senhora do Amparo (Beira Alta)
O Sol perguntou à Lua (Açores)
Verdes Anos (Carlos Paredes)

“Visiting” José Afonso: • Tenho barcos, tenho remos (Poema: popular Alentejo)
Carta a Miguel Djedje
Cantar Alentejano (Catarina Eufémia)
In Memoriam (de uma camponesa assassinada - Carlos Paredes)

Meu coletinho aos ramos (Beira Baixa) (encadeia com “Fantasia” by Artur Paredes)

Canções harmonizadas por Carlos Paredes para guitolão
Transcrição de Nuno Dias
(As outras canções são harmonizadas por Nuno Dias)